Publicado por Leonardo Siqueira em 7 07UTC Outubro 07UTC 2009

Continuando o Post anterior, uma pesquisa interessante mostra que, nos EUA, os salários acompanharam o crescimento econômico dos anos 20 aos anos 70, a partir disso, a tendência se alterou, a produtividade continuou e os salários estagnaram, em parte pelo aumento da concorrência e do número de novos profissionais, incluindo a participação das mulheres no ambiente de trabalho.
A alternativa foi oferecer a participação nos lucros e os bônus por produtividade, mas, a maioria dos assalariados que não tem esses benefícios continuou do mesmo jeito, sem ter acesso à compra dos novos produtos.
Com isso, diversos artifícios foram criados, com o aumento de horas de trabalho foram espalhados problemas psicológicos, depressões, cansaços extremos, divórcios, etc…
Com o passar dos anos, menos dinheiro (e mais oferta de tentadores produtos), as famílias foram se endividando, em parte para manter o status social e, com isso, o capital financeiro enxergou uma brecha para aumentar a fonte de lucro, com mais oferta de crédito sem tantas restrições.
A partir de então, as últimas décadas foram marcadas por um ostensivo trabalho de marketing gerando necessidades, até então inexistentes, novos anseios e desejos, para que o padrão fosse mantido a máquina tinha que se mover, trabalhando mais e ganhando nos produtos, nos juros e acima de tudo, na dependência emocional.
Para tudo há um limite e, no caso do sistema financeiro, a realização dos lucros estava próximo do limite quando operações mais arriscadas foram criadas, na tentativa de gerar mais dinheiro, seja como for.
Foi quando tudo desmoronou e o interesse de um grupo, movido pelo individual, foi capaz de desestruturar o coletivo, fazendo com que todos pagassem a pena, dessa forma, uma regulamentação que incentivasse a produção, sem desmerecer o produtor, seria o ajuste perfeito, criando a concorrência ideal e o mercado “semi-livre”.
É o capitalismo com ética e com bases sólidas, permanentes, não superficiais e momentâneas, em prol de um grupo, para uma ocasião.
Assim, a crise não veio de um sistema, ou da simples ausência de normas, essas sim são conseqüências do que foi instituído por nós, a partir da nossa realidade e necessidades internas.
Como democratizar nossas práticas, trabalhos, ganhos, acessos?
Mais que se direcionar ao socialismo e a Marx, eu vejo exemplos de países capitalistas e bem sucedidos, como Finlândia, Suécia, Suiça e muitos outros, sendo a prova que o jogo pode seguir, se bem montado, definido e regulamentado.
Ainda que você participe das regras do mercado, não significa que você não saiba que ele não é o ideal e pode ser melhorado, George Soros é o exemplo de um grande capitalista que luta pelo mercado regulado e limitado.
Desenvovermos uma sociedade que agrupe e beneficie mais participantes deve ser o ideal de todos já que essa crise não se limita ao sistema financeiro e sim ao nosso modo de ver e lidar com o dinheiro.
Seja em seu trabalho, em seus projetos financeiros, tente olhar para a totalidade.
Sempre lutaremos por mais, sempre vamos querer ir adiante, mas o equilíbrio está justamente em por limites a nós mesmos, sabendo até onde, até quando.
Ao administrar sua empresa, veja de que forma “todos” podem ganhar, verdadeiramente, não apenas na teoria.
Veja a crise global que, em parte, já passamos, para entender a crise em seu trabalho, em seus negócios e até mesmo dentro de você.
A crise é a mostra de um colapso nas relações humanas.
Para os que se interessam pela sociedade e nem tanto pelo capitalismo, termino essa série com uma frase do escritor Bernard Shaw:
“Sem compreendermos o capitalismo não podemos compreender a sociedade huamana da maneira que ela atualmente existe”
Esta entrada foi publicada em 7 07UTC Outubro 07UTC 2009 às 4:54 pm e é arquivado em Qual a origem das crises? Parte II.
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