Sêneca e as eventualidades

Sêneca nasceu em Córdoba, mas foi na Itália, onde viveu a maior parte de sua vida, que se estabeleceu, como um dos membros do senado.

Tratou, especialmente sobre a ira, que para ele, surgia da racionalização de conceitos, sobre a vida, que podia ser levada com argumentação filosófica.

Para ele, as pessoas ficam iradas porque projetam suas expectativas, que fatalmente, serão frustradas.

Vivemos nossas projeções, insistindo contra a realidade.

Mesmo que possamos ver que determinada situação é repetida sempre e já saibamos que irá acontecer, sucessivamente, nos irritamos, quase que “surpresos”, por ela acontecer….é como esperar que da noite pra o dia todos tenham consciências, como as nossas, expectativas, como as nossas e se transformem, como nós somos.

Quando você passa a aceitar que as coisas não são as ideais, nem perfeitas, aceita bem melhor o seu trabalho, seus colegas, concorrentes, etc…

Buscar, portanto, a perfeição, sabendo que ela nunca virá, é uma atitude sábia…

Você tentará eliminar as imperfeições, mas se a busca, constantemente, é porque sabe, antecipadamente, que nada é nem será perfeito, isso é ter uma visão mais realista das coisas, ou, pessimista, se preferir… saiba diferenciar o pessimismo realista e o otimismo utópico.

Para ele, um dos motivos da raiva é acreditar que as coisas têm q ser sempre como esperamos…

Quanto mais sucesso temos, maior é a chance de nos tornarmos intolerantes em relação as eventualidades que insistem em nos acompanhar.

Saiba o que você pode e o que não pode mudar, adaptando-se aos seus limites e possibilidades.

Ainda que você não possa mudar o evento em si, pode mudar a tua visão em relação a ele e, conseqüentemente, suas atitudes, posturas e receptividade.

Manter-se calmo, em qualquer adversidade, te permitirá agir com sabedoria e ter a resposta adequada para a resolução do problema.

Me lembro de um empresário que acompanhei por meses, mal tendo tempo pra sua rotina diária. Era quase inviável ter uma conversa com ele, sem ser interrompido por uma ligação urgente, ou a resolução de um novo problema. Sua vida era baseada no estresse e da não aceitação de nenhum erro, ou passos falsos.

Tinha a falha de não saber delegar e distribuir suas ações, mas, como qualidade, diferente de muitos que vivem nessa situação de estresse, não era um sujeito estressado. Tentava se antecipar as eventualidades, mas sabia que elas um dia chegariam e, quando invariavelmente aconteciam, não se surpreendia, podia ter a atitude sem deslizes emocionais e sem inconformismos utópicos do perfeccionismo exacerbado.

As palavras “tudo dará certo”, podem ser animadoras, mas sabemos, por nossa experiência, que não são exatamente reais, a não ser que você formule a frase de outro modo “ainda que tudo não seja como eu espero, acredito que seja como for, no fim, tudo poderá dar certo”.

Um bom estrategista, as vezes se baseia mais nas eventualidades, que nos acertos…se programa, vendo todas as possíveis variáveis e falhas, se precavendo contra tudo o que pode supor e aceitando que ainda assim, outras novas podem surgir.

Ainda que isso possa te fazer acreditar que se tornará paranóico, eu te sugiro a pensar que a paranóia, mais problemática, é a baseada em uma projeção do irreal, do que exercitar-se com as probabilidades coerentes.

Hoje em dia, essas talvez sejam palavras assustadoras vindo em um tempo onde auto-ajuda e frases motivacionais geram euforia e crendices inquestionáveis.

O que proponho é justamente o contrário… questionar!

Questione sempre, sejam as tais “verdades”, ou as minhas e as tuas opiniões, fazendo com que você não se frustre por, em algum momento, ter acreditado em um conceito superficial e irreal.

Essa é a forma mais otimista de levar a vida, ainda que você duvide…

É se preparar para as eventualidades, que certamente virão, construindo a sua vida, conforme suas possibilidades.

Acreditar que tudo irá sempre bem é infantilismo e irracionalidade.

É o lutador que sobe ao ringue achando que o adversário será sempre fraco e não desferirá nenhum bom golpe, portanto, não se preparará para a luta por acreditar não ser necessário.

Assim como Sêneca ou qualquer grande estrategista da história, busque construir a estrada, mas prepare-se para as eventualidades.

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