Sócrates e os investidores

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A economia mundial sofre grande crise!

Algumas empresas não sobreviverão!

Muitos empregos se perderão!

Uma catástrofe global!!!

Você tem lido, ou ouvido, muito sobre essas palavras ultimamente não?

Acompanha as bolsas de valores, em quedas repetidas, com investidores em fuga para tentar salvar o patrimônio, como se as bolsas fossem terminar, ou as empresas onde aplicam seus investimentos, quebrar.

Vemos o "efeito manada" das bolsas…os primeiros saem, outros acompanham, sem ao menos saber porque o fazem, mas sim pela simples suposição de que se os primeiros fizeram, devem saber porque o fazem.

Não questionam a fundo tais atitudes, acreditando ser o certo, porque é o que a maioria faz.

Será que o que a maioria faz é sempre o certo?

No caso dos investimentos, a premissa de que os primeiros "sempre" sabem o que estão fazendo, nem sempre se confirma em realidade.

Os maiores investidores vão, muitas vezes, contra a maré.

A maioria não tem o costume de questionar porque intui que o questionar é um círculo sem fim, que o levará a outras respostas que não precisariam se importar e até então, não o angustiavam.

Ao contrario, Sócrates acreditava que o conhecer vem apenas precedido do perguntar, questionava a tudo e a todos, tentando mostrar o quão superficiais eram determinados pensamentos, para isso, tinha uma fórmula.

Criou cinco etapas para formular a melhor resposta:

1-  Tenha como base, aquele conceito que a maioria acredita ser o certo.

Por exemplo:

Os que ganham mais são mais felizes em seus trabalhos?

Ainda, precisamos construir uma família para sermos felizes?

2-  Depois disso, ache as exceções das regras.

3-  Se existir apenas uma exceção que seja, isso significa que as certezas, ou afirmações absolutas, são falsas, ou no mínimo imprecisas.

4-  Ache uma nova definição que reforce a imprecisão.

Por exemplo, sabendo que muitos ganham bem, mas não tem estímulos ou incentivos em seus trabalhos, ou que as vezes a construção de uma família com o cônjuge errado, trará dificuldades, o que invariavelmente acontece.

5-  Por fim, siga na tentativa para encontrar o maior número de exceções para as regras e validar assim a posição inversa ao conceito imposto, tido, inicialmente, como absoluto.

Dessa forma, Sócrates acreditava que os conceitos absolutos são os que jamais conterão exceções, portanto imprecisões.

Com seus questionamentos, dizia ser o melhor meio para criar idéias sólidas, sem imprecisões, pré-conceitos ou inverdades.

É o não se conformar com respostas simplistas e imposições tidas como inquestionáveis, ao mesmo tempo que é a diplomacia equilibrada para não criar confusões, ou impor uma idéia.

Com isso, é importante observar que se em todos os conceitos sempre existirão imprecisões, dificilmente chegaremos a uma resposta com total solidez, o que não significa que o método seja impreciso e sim que é a forma mais profunda para "manter" nossas convicções.

Nossos conceitos devem se basear em respostas coerentes, ainda que possam ser questionadas (e devem), que sejam para o momento, sua melhor solução.

Evite respostas como "não sei responder, mas acredito que seja assim", procure validar suas afirmações com argumentações coerentes, sem se sentir agredido e tentar impor, a qualquer custo, sua posição.

Ainda que exista em todos o potencial para uma análise de quaisquer argumentações, nem todos o fazem e muitos insistem em seguir as regras, seja por tradição, quanto por aceitação da maioria ou simplesmente por "preguiça intelectual".

É o questionar que te oferecerá, sempre, respostas; com tanto que questione imparcialmente e da forma certa.

Confie em tuas decisões, quando sólidas, ainda que reme contra a maré.

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2 comentários sobre “Sócrates e os investidores

  1. Isso parece o procedimento de reestruturação cognitiva praticado pela psicologia cognitiva. Buscar evidências que confirmem as nossas crenças aprendidas e pouco testadas para que sejam mantidas ou excluídas do nosso arsenal de regras ou fórmulas da felicidade.
    As pessoas têm o mau hábito de acreditar e confiar em seus conceitos, regendo suas ações, sem observar se são conceitos válidos e que trazem mesmo o resultado esperado.
    Leonardo, parabéns mais uma vez!

  2. Oi Luciana, teu comentário pôde ilustrar e complementar o Post.
    Concordo com você, vejo semelhanças nessas e outras teorias, aliás, a psicologia e filosofia estão sempre relacionadas e quando traçamos paralelos entre elas, fortalecemos os conceitos expostos não?
    Obrigado pelo comentário e visita!

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