Arquitetura, Aparência e Produtividade

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“Beleza é a promessa de felicidade” disse Sthendal.

Aparências são idiomas… lemos e interpretamos a beleza, conforme nosso  conhecimento, possibilidades, conscientes ou não, interpretamos e entendemos suas mensagens, daí formamos nosso gosto.

Alguns, ingenuamente, acham que a valorização do belo ou da aparência é superficial, é simplista, desnecessária.

Diversas correntes filosóficas tentaram minimizar o aparente, acreditando que não continha, em si, valor mensurável.

Eu, como esteta assumido, vejo nos detalhes do aparente, aquilo que percebo do escondido, nas entrelinhas das formas.

Quem já teve a oportunidade de observar um quadro em um ambiente sem a menor condição estética, sabe diferenciar como o aspecto aparente, físico, interfere e cria um espírito propenso a ter determinadas sensações. Daí,  um grande, suntuoso e imponente museu, têm a possibilidade de reforçar o belo de cada obra de arte.

Para Platão, a arte não passa de uma imitação do que é visto, ou seja, é uma reprodução de um objeto que já é uma cópia imperfeita, porque foi percebido pelas idéias. Sendo assim, a arte é apenas a ilusão do que é percebido como real.

Kant afirmava que a satisfação só é estética quando ausente de fins subjetivos (interesses), ou objetivos (conceitos). Na avaliação estética, levamos em conta a harmonia, de acordo com a nossa percepção, através de nossa inteligência.

Hegel acreditava que a raiz da arte está na necessidade do homem de objetivar seu espírito, transformando o mundo e se transformando.

Para ele não era uma imitação da natureza, mas a intenção de transformá-la, a fim de que, pela arte, o homem possa exprimir a consciência que tem de si mesmo.

Umberto Eco vê que o belo está em todos os lugares e é sinônimo do bem, da verdade, reflete uma conjunção harmônica de beleza física e virtude.

Usa como exemplo as igrejas históricas, onde os vitrais da arte gótica exibem a perfeita proporção arquitetônica.

Originado no século XII, esse princípio estético considerado ideal, representa bem a dualidade medieval belo-divino, uma vez que permite a entrada de luz (sinônimo do divino) e cores onde antes era escuro, negro, pesado.

Todas as grandes instituições religiosas têm na arquitetura parte de suas mensagens, desde a construção externa, a decoração das igrejas,  simbolizam e conduzem à religiosidade, à reflexão e produzem efeitos subliminares necessários para determinada crença.

Desde o período medieval esse conceito era conhecido e praticado.

Do catolicismo, ao judaísmo, ao islamismo, budismo e assim por diante… será que são fatores sem importância?

Pensar em decorar a sua casa com determinado estilo, ter móveis com certos designs, é, por muitos, considerado superficial, desnecessário e até fútil, mas não pelas grandes igrejas, templos e construções que tenham como intenção ser símbolo do que querem produzir.

Você pode observar que a beleza não é algo tão superficial quanto muitos crêem e que a estética tem forte influência em nossas vidas, em todos os seguimentos.

Mesmo na aparência pessoal, que muitos julgam superficial, estão intrínsecas mensagens subliminares biológicas que encontramos na antropologia.

O parceiro ideal, quando encontramos alguém que consideramos bonito(a) vai além da beleza em si e diversos outros aspectos como segurança, saúde, força, etc., são percebidos.

Temos nas formas, a representação de valores que buscamos e precisamos, por isso ainda hoje, parte das construções retrocede a períodos antigos sem ter paralelo com o progresso, a tecnologia e o tempo em que vivemos.

Inspirar-se em clássicos é, em parte, deixar-se levar pelo conhecido.

Se um grande empresário tem determinado gosto, um milionário tem predileção por certa arquitetura, ou um artista renomado vive em uma casa com certas características, tendemos a achar que eles devem saber o que fazem. E se são bem sucedidos e vencedores, em teoria, nós seriamos iguais, se vivêssemos no mesmo lugar, na mesma situação e tivéssemos os mesmos hábitos, é nisso que acreditamos, ainda que inconscientemente.

Estas idealizações nos conduzem quando vemos mansões clássicas, castelos centenários, etc..

A aparência é muito mais quem queremos ser do que na realidade quem somos.

Se a aparência está em nossa vida, em todos os aspectos, desde os produtos que compramos, na casa que vivemos e decoração que usamos, carros, roupas… de que forma a aparência de sua empresa interfere no rendimento dos funcionários?

Ainda hoje, poucas empresas investem na construção de um ambiente que proporcione produtividade e desenvolvimento.

A sensação que você tem no local onde trabalha será determinante para seus resultados.

A empresa que você trabalha te conduz a sentir e pensar o quê?

Ela oferece as condições necessárias para que você produza, da melhor forma?

Um lugar que não oferece conforto, fatalmente será rejeitado, mas, partindo do pressuposto que todos ofereçam, quais seriam os esteticamente mais apropriados para determinados fins?

Seu escritório oferece um ambiente gerador de idéia, eliminador de estresse e incentivador produtivo?

Eu responderia essas questões entrando em uma reflexão direcionada para o conteúdo e forma, tendo como base a imagem absorvida e que reações causa.

É incompleto investir milhões na construção, manutenção e treinamento, de sua empresa e funcionários, sem analisar o local onde trabalham e que possibilidade sensorial oferece.

Quando escolher um novo escritório ou construir as novas instalações de sua empresa, contrate um arquiteto que tenha, mais que uma visão estética e funcional, elementos geradores de idéia, bem estar e por conseqüência, terá uma empresa mais bem sucedida.

Já prestei consultoria para empresas que tinham situações antagônicas, que devem ser analisadas.

Passei em empresas onde os ambientes insuportáveis, cansativos e desagradáveis, transferiam ao profissional a impossibilidade de permanecer ali e, claro, como conseqüência, o índice de rotatividade era enorme e todos mal viam a hora de terminar o dia de trabalho.

Encontrei também dificuldade em conseguir obter bons rendimentos de profissionais do setor comercial que deveriam estar na rua visitando clientes, em cidades onde o calor era insuportável e o ambiente da empresa, com todo o conforto, bebidas refrescantes e ar condicionado, eram fatores que convidavam a estar e não a ir.

O caminho para a produtividade é adequar cada setor ao seu ambiente, portanto, gastos na instalação do local onde você trabalha, mais que um custo a ser minimizado, é um investimento que colherá retornos concretos e objetivos, abrigando profissionais mais satisfeitos e produtivos, é mais lucro e melhores resultados para todas as empresas.

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