A hora de desistir

codrinseth

Desistir, jamais!!!

Será?

Essa frase é muitas vezes acompanhada do orgulho, gerado pela insegurança daquele que precisa mostrar determinação.

Sócrates diria que toda verdade deve ser questionada.

Ainda, nem tudo o que é senso comum deve, sempre, ser aplicado. Para isso, criou mecanismos para detectarmos se determinado conceito é falho.

Quando é o momento certo para questionarmos a desistência?

Nenhuma desistência é completa a partir do ponto que todo desvio de conduta leva à prática de uma nova situação.

Estou definindo a palavra “desistir” no sentido de definir outras prioridades, execuções ou ações, ou seja, traçar novas rotas, reciclar, adaptar.

Desistir, dessa forma, passa a ser apenas o desvio de antigas práticas para novas posturas e perspectivas de algo que havia sido previamente traçado.

Nesse sentido, em todo momento, deveríamos questionar se estamos indo pelo melhor caminho e estarmos abertos para desviar, ou “desistir”.

Nossa preocupação deve ser no sentido de desistir dos meios, se necessário, para atingir os fins, que são a essência.

A desistência, na realidade, nada mais é que a alteração de uma rota idealizada.

Desistência não é fracasso.

Quando um avião é obrigado a desistir do pouso, tendo que arremeter, não dizemos que foi um vôo fracassado e sim, que esse tipo de alteração é aceitável para que o objetivo primordial, que é chegar ao destino, seja alcançado, com mais prudência.

A palavra desistência causa calafrios, gera diversos traumas, promove acusações e julgamentos que determinam que o que desiste, é fraco, não persiste, portanto incapaz.

Que desistência é completa?

Que término, em si próprio, se completa?

Toda desistência, por ela própria, abre novas perspectivas, sempre.

Não se desiste do trabalho, sim “daquele” trabalho.

Não se desiste do cliente, sim “daquele” cliente.

Não se desiste, muitas vezes, de uma venda e sim de insistir, naquele momento, no comprador.

Será que essa é a sua hora de desistir?

Todo momento é momento de “desistir”, no sentido de mudar o foco, adaptando as ações para as novas realidades, se complementares, mais concretas e coerentes.

Em uma ocasião, prestei consultoria para um empresário que tinha por volta de 80 anos. Me recebeu trajando um antigo terno, gravata e chapéu. Sua empresa  tinha posturas compatíveis com o que ele sempre executou, em suas longas décadas de experiência, sem reciclar, sem se adaptar. Como em seus trajes, era tradicional também, em suas práticas.

Até onde ir? Quando parar? Quando insistir?

A IBM foi a maior fabricante de computadores por muitas décadas, em um determinado momento, vendeu sua divisão industrial para empresários chineses.

Hoje, continua sendo uma das maiores empresas do mundo, voltada agora para serviços. Sendo assim, a IBM “desistiu” de comercializar os mesmos produtos, que anteriormente a haviam posicionado como uma potência. O mais intrigante é que essa decisão foi tomada na época, onde os produtos que comercializava ainda eram amplamente aceitos pelo mercado. Então, por quê desistir?

Algumas vezes, a desistência não vem apenas porque o mercado rejeitou sua atuação mas, ao contrário, aprovou, fazendo uma oferta que justifique sua alteração de rota, estruturando ainda mais sua empresa como um todo.

Por mais que você adotasse outra prática, ou não fosse partidário dessa atitude, não poderia afirmar que a IBM é um exemplo de fracasso por ter desistido de seu caminho, adotando um novo foco.

Milhares de exemplos e posturas devem ser analisados para que possamos definir com exatidão onde a desistência é fracasso e onde a desistência é opção para o progresso.

Em outro momento, trabalhei com uma indústria de confecção que tinha a intenção de vender seus produtos para grandes empresas, quando na realidade o seu objetivo deveria, primeiramente, ser lucrativa, definindo o que vender e não para quem vender.

Essa postura fez com que essa empresa enfrentasse sérias dificuldades na medida em que bons representantes e vendedores desistiam de trabalhar ali.

Vendas não eram efetuadas porque a empresa não tinha intenção de faturar pequenos pedidos, assim, tudo, aos poucos, foi se deteriorando.

Algumas empresas devem ter essa postura, outras não, por isso a análise sempre deve ser específica e não genérica, como alguns querem impor.

Minha direção, para este caso, foi para que a empresa se tornasse mais maleável e permitisse que vendas menores, na soma, também trouxessem lucros.

Desistimos de insistir na antiga concepção, adaptei as estruturas e possibilitamos novas práticas.

Essa postura foi tomada e aos poucos a empresa pôde voltar ao azul…. assim, a desistência de se focar em apenas grandes clientes, foi um fracasso?

Estarmos atentos às novas tecnologias, fatores sociais, anseios dos consumidores, são fatores preservativos, evolutivos e não falhas e fraquezas.

Grandes projetos devem ser moldáveis e maleáveis.

Quando a conquista de determinado território é o objetivo de um exército, a mudança de estratégia e a adaptação aos fatores limitantes devem ser consideradas.

Quando desistimos (ou mudamos o foco de determinadas práticas), nada é totalmente perdido, portanto os traumas subliminares que a palavra oferece, devem ser deixados de lado, isso é viver os momentos atuais com base nos momentos futuros.

Adaptar idéias é progredir.

Desistir dos padrões previamente estipulados, quando necessário, é evoluir.

Ser determinado e ter posturas coerentes, as vezes, é saber “desistir”.

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