Questionando a lógica com Aquiles e a Tartaruga

 

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Zenão de Eléia desenvolveu um paradoxo que tinha como intenção questionar nossa racionalidade.

Até onde a razão pode ir?

De que forma ela pode nos enganar sem que percebamos?

Se a lógica é inquestionável, Zenão propunha um questionamento sobre nossa razão.

Um dia, Aquiles e uma tartaruga decidiram apostar uma corrida.

Como Aquiles corre duas vezes mais depressa que a tartaruga, dá a ela uma certa vantagem.

A questão é, no momento em que Aquiles alcança o ponto de partida da tartaruga, ela terá se movido para a frente, exatamente a metade da distância de sua dianteira.

E, no momento em que Aquiles chegar a este ponto, ela terá se movido mais metade dessa distância e assim, infinitamente.

Aquiles, pela lógica, jamais alcançaria a tartaruga porque, a cada ponto, no momento em que ele chegar a distância dela, a tartaruga estará sempre adiantada em metade dessa distância, assim, Aquiles não poderia ultrapassá-la.

Nesse momento, você dirá e, com razão… “claro que Aquiles ultrapassa a tartaruga”.

Mas a questão aqui é outra.

A essência da história não é te convencer que Aquiles jamais ultrapassará a tartaruga já que é óbvio que em um momento fará.

O ponto central é que a lógica de tal paradoxo conta com um impecável argumento que nos move a uma falsa direção.

Procure sobre esse paradoxo aqui na internet e encontrará diversas pessoas tentando formular cálculos que provam que esse paradoxo pode ser resolvido através de determinadas equações.

Zenão não tinha como intenção que esse questionamento não fosse resolvido, já que é obvio que Aquiles ultrapassa a tartaruga, mas sua intenção era gerar esse “colapso” em nossa lógica, demonstrando que por mais que algo seja óbvio em sua resolução, um argumento que nos leve em outra direção pode ter bases lógicas, ainda que infundadas.

Se nós podemos ter pontos de partida lógicos, uma conclusão falsa pode desequilibrar nossas certezas e desestruturar nossas tentativas de racionalizar sobre tudo.

O paradoxo nos passa dois pontos interessantes.

O primeiro é que seu ponto central é falho, ainda que a razão tenda a nos levar em outra direção.

O segundo é uma armadilha, que muitos tentarão resolver pela matemática, de que modo Aquiles ultrapassará a tartaruga, sendo que essa é a segunda distorção da realidade, quando te desvia do ponto central e se esquece de encontrar a falha lógica e não a resolução da questão.

Talvez você não encontre a solução para uma difícil questão em seu trabalho por estar indo nas direções que o problema te induz, através de uma distorção perceptiva que deveria se canalizar para outro ponto.

A resolução superficial do problema nem sempre é a solução para determinada questão.

As vezes, para  encontrar o cerne da barreira que se formou, é necessário discernir qual o miolo da questão, solucionar se há uma falha lógica em tal problema e, através desse meio, ir ao ponto central de modo racional, ou sensorial.

Talvez esse seja o melhor exemplo para ilustrar que todas as nossas percepções podem ser falhas, ou ilusórias.

Assim, algumas ações devem ser tomadas com bases intuitivas quando as racionalidades estiverem impedidas de ir além, não com imprudência ou irresponsabilidade, mas pela certeza experimental.

Saiba analisar quais são os momentos onde a experiência deve ultrapassar a razão, seja em sua empresa ou na corrida entre Aquiles e a tartaruga.

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