Xenófanes e as verdades moldáveis

 

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Em nossa viagem ao mundo das idéias, acho pertinente escrever sobre Xenófanes.

Destacou-se entre os pré-socráticos, vivendo no século VI a.C e, como ponto central de sua filosofia, questionava as conclusões que nossa racionalidade nos leva, acreditando que as opiniões humanas são apenas criações humanas.

Aprendemos constantemente e permanentemente alteramos nossas idéias e posicionamentos de acordo com nossas mais novas conclusões, sempre alteráveis.

Se para muitos esse é um sinal de evolução, para Xenófanes era a demonstração de nossa falibilidade e, por conseqüência, deturpações da realidade.

Acreditava que nenhum homem, jamais, conheceria a verdade, pois ainda que por acaso viesse a pronunciá-la, não seria nada além de um emaranhado de suposições e adivinhações.

Ilustrava sua teoria com uma ironia.

Afirmava que os etíopes diziam que seus deuses tinham nariz chato e eram negros, enquanto os trácios diziam que tinham olhos azuis e cabelo ruivo.

Assim, se os bois, cavalos ou leões tivessem mãos e pudessem desenhar e esculpir como os homens, então os cavalos desenhariam seus deuses como cavalos, os bois como bois e cada um faria de seus corpos, modelos de deuses, conforme suas semelhanças.

Tais afirmações, mais tarde, foram traduzidas por Karl Popper que também, com base em tais conjecturas, aplicou a teoria da falseabilidade, como um meio mais racional de se aproximar das verdades.

Xenófanes tinha em sua filosofia a afirmação que a verdade não pode ser alcançada, o que é em si uma contradição, pois tal afirmação, parte de uma verdade. Ainda assim é interessante analisar que por mais cético que fosse, buscava entender, conhecer e refletir permanentemente.

Não veja com pessimismo o acreditar que jamais chegaremos a verdade absoluta mas, por outro lado, é um otimismo evidente quando incentiva a ir além, a responder com mais coerência e assertividade.

Em seu trabalho, tente avaliar até que ponto suas realizações são pautadas nas concepções baseadas em “sua semelhança”, ou são imparciais e voltadas para o bem da corporação.

Até onde suas soluções estão presas em facilidade, objetividade simplificada, ações velozes e demonstrativas ou são as respostas mais distantes que você, após analisar, pôde chegar, e, com isso, tem plena convicção que é o melhor caminho.

Nossas práticas são sempre moldadas de acordo com nossas percepções, não poderia ser diferente disso, mas, o que deve ser avaliado é, qual é o limite de seu entendimento na busca da verdade?

Este pode e deve evoluir permanentemente e, para isso, o pensar, conhecer e experimentar, em todas as áreas da vida, nos permitem crescer profissionalmente.

A verdade em seu trabalho, suas ações e posturas, ainda que nunca absolutas e inquestionáveis, devem ser pautadas na pré-consciência de que o limite jamais será alcançado, portanto, a busca sobre o que é em realidade deve, permanentemente, ser.

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