O empresário e os chineses

O grito

Ele era um bom empresário…

Desde adolescente sonhava em ter seu próprio negócio.

Esforçado, idealizava diversos meios de criar seu negócio, buscava a sua formação em importantes universidades, até que decidiu, construiria uma empresa de confecção.

O primeiro ano foi difícil, muita privação, correria, pouco dinheiro, muita ajuda. Os negócios foram crescendo, no rumo certo, ao lado de profissionais cuidadosamente selecionados, foi conquistando um bom posicionamento no mercado.

O que de início, foi dificuldade, com o passar dos anos se transformou em crescimento.

Angariou consumidores, expandiu sua rede de contatos e sua empresa já era líder em sua região, indo para outros mercados e crescendo cada vez mais, até quem um dia eles chegaram… e que chegada!

Líderes mundiais do setor desembarcaram no Brasil pela porta da frente, com extravagâncias orçamentárias e pesados investimentos em marketing

Os chineses entraram em nosso país para serem os maiores e por que não, melhores.

O nosso bom empresário assistiu com espanto tal chegada… após um determinado tempo, o espanto virou assombro, o assombro neurose.

Madrugada, um trovão escandaloso acorda o empresário que assustado, olha para os lados, vê que um temporal cai e resolve voltar a dormir, em vão… O sono não vem, os pensamentos não vão, enquanto o relógio marca 2:42 seu único pensamento é: Qual será a próxima dos chineses?

Resolve se levantar vai ao computador e começa a vasculhar a internet.

O que se inicia naquela madrugada, permanece em sua vida, nos próximos anos.

Uma obsessão ferrenha o toma sempre que ouve sobre os chineses.

Aos poucos, conhece todas as suas estratégias, sabe os próximos passos, estuda suas histórias, vive dias e noites no site do concorrente e suas idéias começam a minguar, suas ações vão desmoronando, sua empresa vai sentindo, funcionários se retirando mas o que importa? Se não acompanhar mais de perto, os chineses tomarão seu mercado.

Os chineses contrataram um super executivo por milhões, lançaram novos produtos e isso sim tem que ser cuidado, afinal podem passar a “nossa empresa”.

O empresário, que era um bom empresário, nesse momento já não o é, se resume a observador, critico, avaliador e acompanhante das ações do concorrente,

Suas reações são cada vez menores, seu olhar distante, sua voz fraca, seus passos trôpegos.

Ele era um bom empresário, preocupado demais, até que de tanto olhar para o lado deixou a si próprio abandonado na solidão de sua presença.

Os chineses cresceram, tornaram-se lideres e o nosso empresário, era um bom empresário, porque já não é mais.

Sua empresa fechou as portas, não pôde, sequer, ser vendida porque desmoronou.

Nosso personagem ainda existe, ainda resiste, agora, procura trabalho, certo que a crise o derrubou e um dia poderá se reerguer, enquanto olha os movimentos dos inimigos, idealiza a sua vingança…malditos chineses!

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