O que aconteceria se legalizassem as drogas? Parte II (Final)

Drogas 2

Este, sem dúvida, foi o tema mais polêmico escrito por mim…

Não sem motivo, é um tema que mexe com todos, com respostas enfáticas e contundentes a fim de eliminar um mal, seja eliminar as drogas, ou o tráfego…

Qual o melhor caminho?

Em continuação ao último Post, seguimos com o seguinte raciocínio

Vamos abordar outros aspectos.

Atualmente, milhares de pessoas podem ser presas ou assassinadas pelo uso das drogas, ainda assim, muitos a buscam com empenho e se fossem legalizadas?

Um estudo do governo americano afirma que 20% de sua população, entre 18 e 25 anos, provou algum tipo de droga ilícita durante o mês anterior a pesquisa.

Imagine então o que aconteceria se as drogas fossem vendidas em diversas lojas, cafeterias, etc…

Na Holanda, quando em 1976 o país decidiu tolerar (ainda que não, legalizar), a venda de pequenas quantidades de maconha em cafés, em princípio, não se notou diferença na quantidade de uso, mas entre 1984 e 1992, quando as lojas passaram a comercializar mais, o uso da droga foi duplicado entre holandeses entre 18 e 20 anos.

Outro aspecto importante seria, quais as conseqüências se a indústria da publicidade fizesse um glamour em torno das drogas, promovendo seu uso via internet, entre YouTubes, Facebooks, ou em algum site de uma grande empresa?

Alguns afirmam que seria difícil proibir tal prática porque são poucas as provas de que a maconha cause tantos malefícios à saúde.

O que fariam a Philip Morris, Miller Coors, se tivessem a possibilidade de comercializar esse novo produto?

Será que o vício seria realmente aumentado?

Outro ponto a se pensar seria que o legalizar as drogas causaria um efeito subliminar para as crianças e adolescentes, de que não há nada de tão grave nelas. Ainda, com os preços mais baixos, os consumidores teriam mais facilidade para comprar e o uso podia crescer, assim, campanhas de esclarecimentos deveriam ser feitas e, ainda assim, os gastos continuariam menores que o que se paga no combate.

Veja também que milhares de pessoas (eu estou entre elas) não fumam cigarros, ainda que possam, o mesmo vale para o álcool, isso porque temos consciência que fumar ou beber demasiadamente nos prejudica, assim, o abuso do uso provavelmente viria dos que já abusam…

Mensurar exatamente quanto maus efeitos econômicos e sociais atuais podiam ser compensados pelos efeitos positivos é tecnicamente impossível, mas o que já se sabe é o enorme problema que vivemos na situação em que estamos.

Talvez um pequeno aumento no abuso das drogas seria compensado pelos benefícios provenientes da redução dos crimes, com esse duríssimo golpe no tráfico.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse, na abertura da primeira reunião da Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia, realizada na Fundação Oswaldo Cruz, no Rio, “imaginar um mundo sem droga é um objetivo difícil de ser alcançado, é como imaginar um mundo sem sexo”.

Essa reunião foi organizada pela Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia, que propõe a descriminalização da posso da maconha para consumo pessoal.

“Qualquer pessoa razoavelmente informada e inteligente vai dizer que isso é inconseqüente”.

“Fomos propositadamente inconseqüentes porque é um passo para que a sociedade possa entender e eventualmente dar outro”, seguiu FHC, acrescentando em seguida: “Descriminalizar não é igual a liberalizar, que implica em legitimar.

“Mas como se pode descriminalizar e não legitimar? Temos que discutir. Não quisemos botar o carro diante dos bois na nossa comissão. Vocês, que não têm nenhum ex-presidente, podem botar o carro na frente dos bois à vontade, examinado com critério quais são passos que se seguem a uma primeira quebra de tabu.”

Para Fernando Henrique, a grande questão é não tratar usuários de drogas como criminosos. “Não estou dizendo que não deve haver combate. Mas a quem? Ao usuário ou ao traficante?”

Segundo ele, a atual legislação do País é ambígua ao “abrir certo espaço para o arbítrio da autoridade policial ou membro da Justiça”.

Fernando Henrique disse que todas as drogas fazem mal à saúde, incluindo o tabaco e o álcool, mas algumas são reguladas e outras são estigmatizadas. Ele lembrou campanhas de prevenção da Aids realizadas em seu governo para dizer que campanhas pelo uso da camisinha também representaram uma “mudança de paradigma”. “A nossa luta foi, em vez de sem sexo, com sexo seguro. Agora, a meta realista é reduzir o dano causado pela droga à sociedade e deslocar o foco da repressão para a prevenção.”

Por fim, não sou usuário ou apologista da droga, para os que ficaram na dúvida, escrevi esse Post com a finalidade de refletir sobre aspectos econômicos decorrentes da descriminalização, levando ainda, em consideração, a força financeira dos grupos de traficantes que se mantém estruturados graças a inércia do governo em relação às suas práticas.

Este não é o melhor caminho? Talvez, ainda que não seja o pior….e qual o melhor? Para onde deveríamos caminhar?

Por enquanto, a legalização das drogas não passa de um interessante debate no meio acadêmico, vamos ver onde isso dará.

Não abordei algum aspecto que você vê como relevante? É evidente que existem diversas vertentes sobre este assunto, por isso, deixe sua opinião, comente e vamos discutir esse tema que tem muito a ser pensado.

Obrigado a todos os que participaram, deram suas opiniões, discutiram e acredito que apenas assim chegaremos a um resultado produtivo, em prol de todos, já que uma coisa, todos concordam, assim como está é inviável.

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