O que faz um bom chefe

follow_the_leader____by_kspatula

Se você acompanha o Reflexões Corporativas, sabe o quanto eu valorizo o desenvolvimento emocional, as vezes, até, reforçando mais que a formação técnica.

Na minha percepção, pessoas qualificadas tecnicamente sofrem para se adaptar e executar o trabalho da forma correta se não tiverem as carateristicas psicológicas para saber lidar com pessoas, liderando, enxergando suas ações e lendo suas reações.

Hoje, abro uma exceção ao reproduzir um artigo que não escrevi, mas achei muito interessante, lendo na revista Exame.

Este texto é uma adaptação de um trecho do livro Jack Definitivo de Jack Welch.

 

O que faz um bom chefe

As características que apontam o profissional certo para comandar uma equipe se relacionam mais a seu caráter – e menos à competência técnica

Não é fácil contratar bons profissionais. E não há nada mais importante para atingir um bom resultado do que conseguir a pessoa certa em campo. Nem todas as teses mais brilhantes de negócios e as tecnologias mais avançadas do mundo fazem tanta diferença quanto ter bons profissionais capazes de pô-las em funcionamento. Isso é verdade sobretudo quando se fala no caso de alguém responsável por administrar uma grande divisão ou a empresa toda. Quando você estiver avaliando candidatos a um emprego, há quatro características de enorme importância que devem ser levadas em consideração:

1. Autenticidade

Por quê? É simples. Ninguém pode tomar decisões difíceis, defender posições impopulares ou se orgulhar daquilo em que acredita a menos que saiba quem é e se sinta confortável com isso. Estou falando de autoconfiança e convicção, traços que tornam um profissional ousado e decidido, o que é absolutamente fundamental numa época em que é preciso agir rapidamente.

A autenticidade também torna o executivo mais aceito e até mesmo admirado. Essa característica se reflete na forma como ele se comunica com as pessoas. Suas palavras as impelem à ação. Sua mensagem mexe com alguma coisa dentro delas. Quando trabalhava na GE, era comum encontrar um ou outro executivo extremamente bem-sucedido que simplesmente não conseguia ser promovido ao nível seguinte. Nos primeiros tempos, tentávamos de todo jeito entender o que se passava. Aqueles executivos tinham os valores certos e apresentavam resultados, mas não havia sintonia com seu pessoal. O que estava errado? Compreendemos que, em todos os casos, havia sempre qualquer coisa de falso. Aquelas pessoas fingiam ser o que não eram — pareciam ter mais controle, mais otimismo e mais conhecimento do que realmente tinham. Não suavam, não choravam. Apenas se contorciam em sua própria pele num papel que haviam inventado.

Quem está à frente de uma equipe não pode ter um pingo sequer de falsidade. Ele precisa conhecer a si mesmo — para ser honesto com o mundo, instilar ânimo em seus seguidores e liderar com uma autoridade nascida da autenticidade.

2. Capacidade de vislumbrar o que ainda ninguém enxerga

Todo executivo precisa ter a visão e a habilidade de prever o futuro, mas os bons profissionais devem ter a capacidade especial de antecipar o radicalmente inesperado. Nos negócios, os melhores líderes em ambientes de concorrência feroz têm um sexto sentido para as mudanças do mercado e para as investidas da concorrência já estabelecida e da nova concorrência. A habilidade de vislumbrar o que ainda não se vê é a habilidade de imaginar o inimaginável.

3. Disposição para se cercar de pessoas mais inteligentes e mais destemidas

Sempre que tínhamos uma crise na GE, eu reunia rapidamente as pessoas mais inteligentes e destemidas que conseguia encontrar, não importava qual fosse sua posição dentro da empresa. Às vezes, chamava gente até de fora da empresa. Em seguida, aproveitava ao máximo os conselhos e a orientação que davam. Fazia questão que todos na sala atacassem o problema de um ângulo diferente. Depois, mergulhávamos com tudo nas informações obtidas até resolvê-lo.

Essas reuniões eram quase sempre polêmicas, porque as opiniões que brotavam ali eram fortes e variadas. No entanto, minhas melhores decisões surgiram do que aprendi nesses debates. O conflito de ideias trazia à tona perguntas significativas e nos obrigava a desafiar nossos pressupostos. Todos saíam dessa experiência mais informados e mais bem preparados para enfrentar a crise seguinte.

Um bom profissional é corajoso o suficiente para formar uma equipe que, por vezes, o faz parecer o sujeito mais idiota da sala. Sei que isso pode parecer absurdo. Todos querem que o chefe seja sempre o mais inteligente — mas, se ele agir como se de fato fosse, não conseguirá chegar às melhores decisões.

4. Resiliência extrema

Todo executivo comete erros, tropeça e cai. No caso de quem está no alto escalão, a questão é saber se ele aprende com seus erros: será que ele se recompõe e depois segue adiante com velocidade renovada, convicção e confiança? Isso é o que chamamos de resiliência, e é extremamente importante que o executivo seja resiliente, porque na hora da crise é tarde para aprender. É por isso que, quando ponho as pessoas em novas situações de liderança, sempre procuro aquelas que tenham tido uma ou duas experiências difíceis. Gosto principalmente de pessoas que quase perderam o ar, mas mostraram que eram capazes de correr ainda mais na prova seguinte.

Hoje, o mundo dos negócios globais vai derrubar do cavalo qualquer profissional – e o fará mais de uma vez.

É preciso saber montar de novo.

Fonte: Revista Exame

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7 comentários sobre “O que faz um bom chefe

  1. Leonardo, você já escreveu sobre a diferença entre “Chefe” e “Líder”? No contexto empresarial, você acredita que há diferença? O chefe não deveria ser “o” líder? Você acha que a palavra “Chefe” ficou marginalizada e leva as pessoas a pensar que chefe é quem “manda” ou “quer mandar” enquanto líder é a pessoas que todos querem seguir, mesmo ele não sendo seus chefes? Este texto acima, descreve bem um líder, pois toda sua autenticidade nos leva ao desejo de segui-lo, mas é óbvio que um “chefe” sem estas características, está condenado ao fracasso, ou no mínimo, a estagnação, e devido ao fato de praticamente toda caracterização de um bom líder, servir para um bom chefe, que eu te faço esta pergunta, sobre a existência ou não de uma real diferença entre líder e chefe.

  2. Sabe Thiago, o teu comentário me fez lembrar de um personagem bem conhecido nas rádios paulistanas, um “chefe” arrogante, prepotente e que faz questão de, a todo momento, ressaltar “Eu sou o chefe”.
    Assim, vejo que algumas pessoas denigrem esse posto, fazendo com que a “chefia” seja vista como algo ruim, pejorativo…quando na realidade é apenas um cargo, um posto.
    Ninguém é chefe e sim, está chefe, enquanto, por outro lado, uma pessoa pode “ser” líder, independente de estar ou não em cargo de chefia…
    Assim, a chefia, que é uma situação é bem executada quando a liderança é natural, conquistada e bem vista, é o momento onde tudo flui facilmente e os que “seguem”, o fazem com convicção e consciência.
    Obrigado pelo comentário e visita, abraços!

  3. Muito bom o texto Leonardo, como sempre. Sobre a discussão, tenho para mim que o lider é aquele que inspira, que se torna o paradigma do funcionário. Já o “chefe”, bom esse é melhor deixar pra lá… hehehe

  4. Hoje realmente me sinto confortável sobre a autenticidade.
    Às vezes não entendia porque no ambiente de trabalho as pessoas simplesmente não assumem em serem autênticas e preferem apenas seguirem alguns chefes mesmo sendo de caráter duvidoso.
    Acredito que a maior cacterística de um líder de sucesso é ser autêntico em todas as áreas da vida.

  5. Ótimo texto, na minha humilde opinião também é possível incluir “Capacidade de montar equipes heterogenias” é necessário ter na equipe pessoas com perfil diferente, buscar pessoas com uma ou mais dessas características:
    Analítico – ANALISA os fatos – trata-os de forma lógica e racional.
    Controlador – ORGANIZA os fatos – trata os detalhes de forma realista e cronológica
    Relacional – SENTE os “fatos” – trata-os de forma expressiva e interpessoal.
    Experimental – VISUALIZA os “fatos” – trata-os de forma intuitiva e holística.

    Sobre liderança e chefia: concordo que “Chefe, diretor, presidente, etc” é um cargo onde se está! já liderança é uma característica indempendente de cargo.
    Parabéns pelo site, conheci agora e vou acompanhar a partir de agora, abração!

  6. É Wandeberg, concordo totalmente com você, desde que, é claro, a autenticidade seja compatível com a educação e prudência não? Conheci profissionais sem nenhum bom senso, dizendo-se “autenticos”, ai mora o perigo…
    Abraços!

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